Para além da moda e do vestir

(por AL, 14 Nov 2009)

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Quem visite África pela primeira vez não pode deixar de notar os tecidos coloridos com que as mulheres africanas se enfeitam. As cores são geralmente garridas e alegres; os padrões são variados, como variados são os seus usos. São saias, vestidos, trouxas, lenços, porta-moedas, berços… Uns têm nomes evocativos, como “espera-maridos”, outros indicam a idade e estatuto de quem os usa e outros ainda mostram-se somente em ocasiões especiais. Mais que um tecido, é um código social.

Guardadas nos baús, as capulanas são símbolos de riqueza que uma mulher possui. Foram-lhe oferecidas pelo homem que as cortejou, o marido que as amou, o filho quando regressou duma viagem, o genro que lhe quer a filha. A dona não as usa, guarda-as, defende-as. Só uma ocasião muito especial as fará sair à luz do dia!

Inspira textos belíssimos que cantam a graciosidade da Mulher Africana; veste bonecas; publica livros igualmente belos (Capulanas & Lenços. Maputo: Missanga, 2004, Paola Rolleta e Maria de Lurdes Torcato); tem uma página no Facebook; uma entrada na Wikipedia e consta de diversos blogs, incluindo a nossa Maschamba. Protagonizou hoje um artigo num grande jornal internacional. Canga, Koi-koi, Sarong, Pareo, Pano… Chamem-lhe o que quiserem, para mim será sempre a Capulana.

Sobre capulanas ver:
- A História da Capulana;
- A Capulana de Moçambique;
- Ela Dança Bem;
- De Capulana em Capulana;
- Moçambique: a Capulana;
- “Capulana” em Exposição;
- A Mulher Moçambicana e a Capulana.


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8 Responses to “Para além da moda e do vestir”

  1. ABM diz:

    Falo de cabeça, mas cruzei-me com textos em que os desgraçados soldados pré-coloniais (isto é, antes de Enes e Mousinho, que a meu ver foi quando tepidamente começou a sentir-se alguma presença portuguesa em Moçambique) recebiam o soldo na forma de x metros de capulana, que depois usavam para trocar por bens e serviços na zona onde se encontravam.

    Em tempos estive na Costa Noroeste de África e achei que as capulanas das senhoras lá eram dez vezes mais garridas e bonitas que os padrões mais tímidos e modestos que via em Moçambique.

  2. cg diz:

    ao ler o comentário ‘bateu-me’ algo, e tenho estado a matutar e arrisco: no “Gungunhana no seu reino”, Maria Vilhena (?), não há lá uma referência assim? referindo que o soldo era irregularmente pago, conforme os envios da capital do Império e que estes eram muito irregulares, havendo não só ‘vista grossa’ às formas como compunham as suas necessidades aquando das expedições ao ‘mato’, como também negócios tripartidos entre cantineiros e o governador, e este e as tropas, com pagamentos em géneros que depois os soldados podiam trocar, vender? se não foi neste foi em algum lado, mas a candeia insiste em acender este book…

  3. AL diz:

    Nao sei se o livro e o que o CG refere porque tenho lido muito pouco em portugues, mas (e tambem de cabeca pois tenho a minha biblioteca ainda em Africa) penso que o pagamento em generos, particularmente o muito apreciado pano de algodao, era pratica comum na altura. Penso que Malyn Newitt fala nisso nos seus livros sobre a africa lusofona

  4. cg diz:

    de M. Newitt só conheço a Hist. de Moçambique, da Europa-América. que também confesso que a maior parte só a folheei…

    não agora, que estou de roupão e ainda está frio – 10 para as 6… – mas amanhã hei-de ir lá abaixo, à livralhada, a ver se cato o que penso ter lido, ou se estou a fazer uma confusão cá das minhas…

  5. jpt diz:

    Os panos eram forma corrente de pagamentos. Ana, o texto do Geffray sobre macuas é particulamente esclarecedor sobre isso e quais os efeitos sociais.

    Não gosto nada da maneira como colocaste as ligações. À noite virei cá arranjá-las e verás como ficarão menos ruidosas

  6. AL diz:

    Sim faz isso obrigada. :)

  7. sandra diz:

    Olá. Sou moçambicana e vivo no Brasil à mais de 30 anos. Apesar disso adoro capolanas, minha mãe tinha uma mas se estragou com o tempo. Gostaria comprar algumas capolanas mas nao consigo nem pela internet. Você sabe onde posso conseguir compra-las?
    Um abraço
    Sandra

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