Um bocado do longe

Nem lhe vi a cara, ao carteiro, hoje em dia visita tão rara. Foi chegar a casa e deparar-me com naco do longe, desses de ler com o papel na mão, que melhor não há, anunciando-se em “Estamos chegando ao reino do gerúndio, enquanto expressão da santidade do tempo, que faz com que as coisas não sejam, porque vão sempre sendo“, diz “prefaciando”


o senhor José Carlos Albino, mesmo à porta da “Mesa da Malta” que se enceta assim “O borrego é carne de excelência e sustento que por si só faz a alegria da casa da malta. E que diríamos se irmanado com o chispe, o toucinho, os ossos e o rabo de porco, vindos da salgadeira, mais o acrescento das peças de carne da chaminé. E por que não folgar a entrada nesta comezaina a um viçoso e tenro molho de cardinhos, que ali, na beirinha da seara, pediam participação na festarola. Dia de esmero para a cozinheira, que de qualquer maneira é pessoa opiniosa mesmo nas açordas de alho. Cozido de grão, pitéu de fazer um moiral!”.

É destes modos que se faz este Alentejanando. Estórias e Sabores. Falares de druida, confirmo-o agora que me deixei folheando. Cânticos muito belos, já o sabia antes, que quem assim Alenteja não engana.

Coisa de tais saberes adornando tamanha prosa que nunca poderá deixar-se esgotar. Um abraço, compadre Isidoro de Machede. Que não estou mandando, é declaração de dívida, eu seja ceguinho se não o hei-de ir entregar em pessoa, lá nos ares do Vimieiro,


em repasto de emigrante, saudoso e glutão.

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