Sobre os blogs portugueses do ano, proposta-passatempo do Geracao Rasca, via Amok - A Memoria Perdida. Entao aqui fica o meu passa-tempo, por ordem alfabetica:
Melhor Blog Feminino:
Blue Molleskin
100Nada
Cocanha
Ecletico
Educacao Sentimental
Miss Pearls
Melhor Blog Masculino:
Alentejanando
Apenas Mais Um
Diario
Kontratempos
O Cromo dos Cromos
Solvstag
Melhor Blog TemáticoA Cidade Surpreendente
Africanidades
Foram-se os Aneis
Mania dos Quadradinhos
O Melhor Anjo
Os Dois Pilares da Criacao
Melhor Blog Colectivo:
Mar Salgado
O Amigo do Povo
Passado/Presente
Respirar o Mesmo Ar
Revisao da Materia
Tugir
Melhor Blog:
A Barriga de Um Arquitecto
Almocreve das Petas
Miniscente
Portugal dos Pequeninos
Quase em Portugues
Rua da Judiaria
Melhor Blogger:
Anjo Élico - Bloggaridades-Socioelegias, O Tupperware Onanista, MaisTurvaSão, Extinto, Ocioso Pensamento, Desportista Urbano, Porque Morremos, Senhor?, Não se Nasce, Fica-se, Cócegas na Língua, TrabalhaholicAntonio Branco Almeida - Luminescencias,
Iconographos, Setima Colina, Leituras
Eduardo Pitta - Da Literatura
Francisco Valente - O Acossado
Henrique Fialho - Insonia
Miguel Cardina - A Cidade Vaga , Passado/Presente


20 comments ↓
Epá!
(sem palavras…obrigada)
Well, well… na selecção apesar de ausente por meio ano! Mas talvez isso é uma vantagem: evita o enjoo.
Em todo o caso obrigado!
Caro JPT,
Surpeendente distinção para o Revisão da Matéria. E, apesar de o sabermos leitor, nós a pensar que ninguém nos ligava nada…
Muito obrigado.
Com todas as outras senhoras que escrevem, esta “nomeação” até é constrangedora para mim, bolas!
Mas pronto. Gostei muito.
Obrigada
Isabel
Muito lisonjeado!
Infelizmente, e devido a afazeres diversos, senti-me a necessidadade de congelar por momentos A Cidade Vaga…
Um grande abraço para aí!
:-))) Ena! Uma distinta distinção! Obrigado, meu caro. Isto prova à saciedade e à sociedade que Os Dedos também são gente!!!
(parece-me é que a organização deste concurso é um bocadinho Rasca: então e a categoria de “Melhor Blog Todo Ele Só Com Dedos”?. Essa é que era…)
Abraços a todos os nomeados, nomeadas e, nomeademente, no meados.
OH JN, mas todos estes blogs sao so com dedos…. nao acha?
Lutz, MC (e nao so), pois, criterio para ser dos melhores eh capaz de ser o “algum silencio”. MC mas isso deveria continuar, ja la o disse, num registo lento que seja (nada que um sapo nao possa fazer, depois de desfalecido o girino)
MP, Cat, gosto muito de blogs femininos, eu que posso agradecer (como a todos, estes “premios” sao cartoes de boas festas). Claro, desde que nao sejam blogs de ga(i)jas, como felizmente eh o vosso caso, estupendas senhoras escrevendo
muito obrigado. é sempre uma surpresa saber que não se trabalha no virtual. abraço.
Obrigado. Mas em jeito Beatle, (”the walrus was Paul”), digo “o acossado é o luís”.
Agradeço naturalmente a referência, aliás merecida, já que não há uma categoria para blogs transgéneros. Ainda assim, queria fazer um pequeno reparo: parece que o amigo JPT se terá enganado no agrupamento onde associou o 100Nada (peço desculpa pela interferência, mas a Catarina como estava sem palavras pediu-me a mim para dizer isto)
Tiago (galvao?) desanonize-se homem, que essas letras o merecem. FV, deixe-se de walrucizes, V. é do dylan. Bone, obrigado pelo elo reciproco - isto eh mesmo para isso!
Ah!
(Obrigada. Fico sem jeito…)
A alegria não tem limites. Muito obrigado pela parte que me toca. Sinceramente, julguei que este ano não me calhava nada.
Foi um ano, digamos, mais opinativo.
Saúde,
Caro JPT, muito obrigado pela distinção. Vai atrasado, mas só li hoje.
bem, mais do que surpresa… obrigada, fico feliz por saber que vais passando por lá.
Obrigado pela nomeação.
A amiga do amigo-do-povo agradece, jpt
por quem sois … mera repetição, isto é agradecimento a quem se gosta de ler
Tenho de reconhecer que tens muito nível nestas coisas. É verdade que cortámos relações mas eu também costumo dizer que foi com o jpt e não com o Ma-Schamba.
E é verdade que, se me desse para fazer uma lista destas, o Mas-chamba também era incluído.
Por alguma razão continuo a ler-te. Tens um excelente blogue.
Many thanks.
Quatro portugueses morrem no Chile
nestes 4 portugueses estava a Maria (Celta)do Blog “Respirar o mesmo ar”. O que diz o DN hoje:
MARIA JOSÉ MARGARIDO, 1972-2006
“Um dia alguém numa grande cidade longínqua dirá que morri
di-lo-á certamente com pena mas sem o alívio que eu próprio decerto senti (…)
Era como eu esperava mas não posso dizer-vos nada
pois tendes ainda o problema e a cara da pessoa viva”
Ruy Belo
Trinta e quatro anos. A Zé tinha 34 anos. Repetir isto até fazer sentido. Não faz. Falemos então daquilo de que podemos falar. A Zé era jornalista. Entrou no DN em 1994, como estagiária. Vinha do curso de Ciências de Comunicação, da Universidade Nova. Começou na secção de Política Nacional, depois trabalhou na área de Educação durante oito anos, foi editora adjunta da secção de Sociedade de 2002 a 2005. Saiu da editoria para poder escrever, fazer reportagem, respirar o ar da rua. Era assim o nome do blogue que partilhava com três amigos: Respirar o mesmo ar. O último post, escrito já do Chile, foi: “Nunca estive fisicamente em Lisboa, não.”
Estamos fisicamente onde nos sentimos estar. Talvez a Zé tenha sentido estar mais ali, no Chile. Na Patagónia chilena, depois da Patagónia argentina, onde passou férias há dois anos. Num lugar extremo, no extremo do mundo, sentir então, numa espécie de revelação feliz, a certeza de existir.
Foi sobre coisas que supostamente não existem que a Zé fez a última reportagem para o DN, publicada a 5 de Novembro. Sobre assombrações, levitações, memórias corporalizadas, colchões e campos de milho que pegam fogo, cadeiras que voam, portas abertas e fechadas no silêncio da noite, remorsos e crimes por expiar. “Não são as casas que estão assombradas, são as pessoas”, disse à Zé uma das entrevistadas.
Uma das suas frases favoritas, do A Sangue Frio de Truman Capote, falava disso, da assombração que fica do inexplicável: “Tal como as águas do rio, ou os motoristas da auto-estrada, ou os comboios amarelos que correm nas linhas de Santa Fé, o drama, sob a forma de acontecimentos extraordinários, nunca ali tinha parado.” A Zé deve tê-lo sentido assim, exactamente assim, quando desceu os degraus da estação de Atocha dois meses depois do atentado de 11 de Março e o vento dos milhares de velas pelos mortos lhe despenteou o cabelo e as lágrimas. Cá fora, à volta da estação, lera os perfis dos caídos, encarara os rostos nas fotos ainda nítidas, o apelo repetido em cada texto, como uma prece: “Não acaba o que morre, mas o que se esquece.” No texto que escreveu sobre Atocha, a Zé guardou, como um soldado dessa guerra, as palavras de uma madrilena, Mercedes. “‘Passo pela estação de Atocha todos os dias. E leio sempre o perfil de uma das vítimas. Ainda me faltam muitas vidas.’ Retira um papel amarrotado da mala e aponta: Alois Martinas, 27 anos, emigrante da Roménia. Tinha como planos viajar, tirar a carta de condução, passar férias em Cádiz, casar e ter uma criança…”
Tudo somado, o que um jornalista faz - se for a sério, e a Zé era - é decifrar vidas. Não há mais nada. E faltavam muitas, demasiadas.
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