Já não vou ter tempo para me deitar aqui a escrever sobre este must das minhas férias natalícias. Na corrida lisboeta, entre museus e galerias (bem, e não só …), aqui estanquei maravilhado: ainda estará aberta? esta “Os Gregos. Tesouro do Museu Benaki” na Fundação Calouste Gulbenkian. Pois se abaixo já resmunguei sobre a produção iconológica que muita da arte contemporânea quer assumir - talvez ignorância minha, talvez insensibilidade, mas tantas vezes me faz falta um puto a exclamar “o artista vai nu“. Confesso a minha irritação intelectual e vazio sentimental diante de um tipo que põe círculos de arame na parede e dizer - atenção, ter que dizer - que aquilo significa qualquer coisa (no caso as fronteiras do mundo actual), o que me faz suspirar quando alguém acha que uma obra de arte se explica até um ponto final (enquadra-se, dá-se pistas, interpreta-se, e com isto tudo também reduzindo a liberdade de quem olha/pensa, mas determina-se?). Bem tudo isto para dizer que a irritação com a Gulbenkian - o Junho passado era um monte de areia no chão, francamente os burgueses já foram espantados o suficiente deste modo, uma tralha a fazer-me lembrar o lavatório que “Réplicas e Rebeldias” do Instituto Camões trouxe há anos a Maputo, coisas tão contemporâneas como tipos a pintar à Turner ou à Columbano nos dias de hoje, mas pelo menos estes últimos sem a arrogância dos iniciados. Ou, neste caso, seria por ser “Arte Contemporânea” para o 3º Mundo? -, a irritação com a Gulbenkian, dizia, se desvaneceu por completo. E bastou isto
“Estatueta Feminina.” Mestre do Fitzwilliam. Período Cicládico Inicial II (c. 2700 - 2300 a.c.). Mármore branco (20,7 cm X 5,9 cm)




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