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18/03/2008

Casa-Museu Eugénio Lemos

Filed under: Arte Moçambique,Bento Mukezwane,Eugénio Lemos — jpt @ 18:06

Ontem inaugurada a Casa-Museu Eugénio Lemos, sita ali à Machava na actual residência da sua família. Nela fica exposto o acervo de obras do artista que está em posse familiar. Ainda por definir, mas esperando-se que tal será para breve, está o sistema de acesso, calendário e horário, bem como a programação da casa-museu e seu conjunto de actividades.

eugenio-lemos2.jpg

Aqui nascido em 1930 Eugénio Lemos brotou enquanto artista na segunda metade da década de 50, no seio de uma geração artística local (a primeira aqui gerada) formada no Núcleo de Arte, bem se articulando nas modificações sociológicas, estéticas e até políticas ocorridas no Núcleo na viragem da década, e que impregnaram algumas secções da sua geração (bem como a seu irmão Virgílio de Lemos). Posteriormente este discreto artista (dizem-mo assim) veio a ser director do Museu Nacional de Arte entre 1983 e 1989. Sobre a sua biografia poderá ser lido o texto “Eugénio de Lemos. A Geometria de uma Vida entre Cores e Formas“, da autoria de Jorge Dias e Alda Costa, que está incluído no catálogo da nova Casa-Museu – e que poderia estar disponível, é também para isso que existem blogs: especializados ou não.

eugenio-lemos.jpg

Sobre o artista aqui transcrevo parte do texto “Transparência Eugeniana“, escrito em 1996, por ocasião de uma homenagem póstuma realizada no Centro de Estudos Brasileiros:

De pequeno achei-o grande tal que em grande era gigante, e fomos crescendo nesta ordem de ideias.

Mais tarde me custava dizer Mestre ao Eugénio, porque tanta avidez de aprender conhecera eu em escassos viventes, e fogosamente aclamado pela sensatez constantemente sublinhava: “Ensina-me novas técnicas”. Lembro-me que eu era um investimento também dele, afirmava como sendo importante diferença entre o mestrado e o autodidacta. (…) Não disputava lugares de primeiro abstracto, achava estéril este levantamento. (…) Numa das ocasiões diversas em que havia algo por decidir Eugénio já me dizia: Bento, é melhor pintares. Não era não, para forjar em mim vontades supérfluas no futuro e terminar idolatrando-o. Era um ser amigo! (…)” (Bento Carlos Mukeswane)


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1 Comentário »

  1. Estou feliz com a existência da Casa-Museu Eugénio de Lemos. A saudade que mitigo olhando diariamente as 3 obras que habitam s minhas paredes é, no entanto, uma lembrança constante do que me pediu, lisongeando-me, e que lhe prometi e nunca cheguei a fazer: uma leitura analítica da sua pintura. É uma dívida que me acompanha e atormenta, mas o que eu conseguia dizer-lhe em presença das telas, não o consigo sentindo a dor da sua falta. A falta daquela amizade fraterna, das manhãs das confidências na cozinha da Tomás Nduda, matabichando em companhia da Aida que muito tempo após a sua morte me dizia com lágrimas na voz:«Senhora, tenho saudades de ouvir o sr. Eugénio a falar tão bonito com a Senhora…»
    E eu que lhe dizia ser ele o poeta das cores e das formas do mesmo modo que seu irmão Virgílio pintava com palavras uma lírica inigualável. Ao Virgílio eu continuo a saudar e a faltar a promessas de artigos e trabalhos sempre adiados; mas já com alguns cumpridos. Ao Eugénio eu gostarei de dedicar o resutado de um estudo e a memória da nossa última conversa antes da sua última mostra no Centro Cultural da Embaixada de Portugal (anterior ao CCC). Será essa a última conversa que trocarei com ele através das suas telas. Aqui deixo os votos de que muitos artistas moçambicanos encontrem na Casa- Museu Eugénio de Lemos a inspiração e o conforto de uma forma ou de uma cor que melhor os inspire e ajude a definir.
    Fernanda Angius

    Comentário by Fernanda Angius — 12/05/2009 @ 17:08

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