Encerrada a exposição colectiva Muvart 2006 o Museu Nacional de Arte inaugura hoje (18 h., a exigir ubiquidade) a anual do concurso MUSART, este a necessitar de revitalização, minha opinião. Sobre o assunto aqui fica o texto de apresentação, meu teclado:
Eis a exposição anual do concurso MUSART (2006), a iniciativa que o Museu Nacional de Arte vem tornando uma instituição no seio das artes plásticas moçambicanas. Nesta edição serão apresentadas pouco mais de uma vintena de obras, resultantes de uma selecção realizada entre uma centena de peças apresentadas a concurso. O conjunto abarca, de modo quantitativamente diverso, as expressões desenho, escultura, fotografia e pintura – sendo que esta descrição não é neutral, mas sim uma proposta para que aqui se ultrapasse a tradicional e constante divisão entre “cerâmica” (que ainda aqui surge como categoria regulamentar individualizada) e “escultura”, considerando a prática da primeira como modo de escultura, divergindo não na expressão mas sim nos materiais usados.
Para esta edição anual a organização entendeu não atribuir prémios finais, ainda que concedendo algumas menções honrosas. Claro que a subjectividade de critérios se impõe nestas realizações, que júris diferentes teriam diferentes entendimentos, seja ao nível da consagração, seja ao nível da selecção. No entanto o que será de realçar foi a vontade de constituir a exposição, de molde a sedimentar a realização da anual MUSART, fruto de um concurso aberto, explicitamente aberto – lembremo-nos que aceitando obras de artistas plásticos moçambicanos e estrangeiros, residentes e não-residentes, ou seja, procurando constituir um momento único de apresentação, divulgação das correntes artísticas em cenário, mas também um momento único de diálogo entre práticas artísticas diversificadas.
De certa forma correspondendo ao que se afigura constituir o panorama actual das artes plásticas moçambicanas, a exposição centra-se num conjunto de obras apresentadas a concurso sob os itens “cerâmica”, indiciando assim a pujança que esta prática vem adquirindo, e “pintura”, cuja energia é tradicionalmente notória. Mas é de referir que a representação nas áreas de “fotografia” e “escultura” (esta última entendida no seu sentido tradicional e, ainda, regulamentar) são praticamente simbólicas, atendendo à escassez de candidaturas apresentadas.
Este perfil, em quantidade e conteúdo, da exposição possível para o MUSART 2006, aliada à anterior decisão de não realizar a exposição de 2005, obriga a uma reflexão. Urge imprimir uma nova dimensão a este concurso, entendendo-o como momento crucial da actividade das artes plásticas nacionais. Expor no Museu Nacional de Arte, inserido em colectivas, deve ser dignificado, presume-se até que entendido como corolário das actividades individuais – algo a associar com os critérios de escolha para as individuais ou pequenas colectivas a realizar na galeria temporária do MNA. Nesse sentido a organização do MUSART propõe-se sublinhar esforços junto dos artistas, mais veteranos ou menos, praticantes das múltiplas formas de expressão plástica, para que se congreguem nesta anual. Para isso se exigindo a divulgação institucional (junto das associações e núcleos artísticos, formais ou informais, das escolas artísticas, e outros contextos) mas também os mecanismos corporativos, apelando à cumplicidade da comunidade artística enquanto motor da participação neste evento anual, sem barreiras de estilos ou gerações. Assim reclamando ao Museu o que ele tanto pretende, a presença e participação de todos. Assim concordando no que todos concordam.



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