São quase 16 horas e levanto-me, alquebrado, da mesa do Rodízio, a maminha, o ananás, a picanha, ainda que no decadente serviço da Visabeira, estão a dar cabo mim. Enquanto caminho(amos) para o local de entrada cruzo uma mesa de “observadores eleitorais”, fardados com dísticos a propósito. Enrolo os palavrões de quem já o foi, e com directas seguidas e perigos assumidos, resmungando um “não deviam estes filhos-da-puta (europeus, diga-se) estar no terreno, de sanduíches no bornal?!”.
Quem me acompanha, patrícios nada desqualificados, ri-se diz: “E onde pensas que andam os teus diplomatas?” E sei, ali, ainda envergonhado, que os diplomatas portugueses andam a almoçar enquanto são, como é possível?, observadores: como é possível tamanha incompetência na Julius Nyerere, 720 (mesmo que seja sob o miserável governo de Amado e Cravinho?). E, até apita, até “a embaixatriz da Irlanda é observadora“. Vá lá, a imbecilidade não é só nossa – mas como é possível que uma missão diplomática participe numa missão de observação eleitoral, que independência, vá lá, que autonomia poderão vir a ter face aos resultados dessa missão? Que visão estratégica subjaz isto? Que gabarito político-diplomático têm os responsáveis desta paródia (e quem escreve isto é quem já acompanhou inteligente que soube em tempos apartar as águas, não é um mero mal-disposto)?
Incompreendo os donos da terra. Eu, se em tal caso, metia patrícios, irlandeses (o parvo do embaixador à frente mais a missionária que com ele dorme logo atrás) e quejandos no primeiro avião.
Uma vergonha militante. Anos a fio.
(Há algum tempo os embaixadores da União Europeia exigiram uma reunião com o presidente da Comissão Nacional de Eleições. Ele recebeu-os para ouvir as zangas da “comunidade internacional”. Entraram na sala e, à sua revelia, foram conduzidos para uma sala onde estava a imprensa. “Digam lá, então“. Calaram-se, atrapalhados, que, afinal, a imprensa ali … . Quem lá estava, e meu amigo, ri-se “o teu embaixador até tremia“. O país ainda anda a rir dessa cena. O embaixador de Portugal, pobre imbecil de corpo inteiro, ainda por aí anda, desrespeitado por todos, os seus, os patrícios, os nacionais daqui, ainda que carregue a bandeira no carro quando sai à rua. Os seus, mais seus, pobre gente MNE ainda por aí anda para gáudio geral, pobre – ou maquiavélico ”Almeida Santos”? – Luís Amado que para África manda os imbecis do MNE.
Nós … não pagamos impostos para não alimentar estas alimárias. E, de quando em vez, um dos bloguistas, muito raramente lembra-se do Sahara Ocidental. E cospe, é o termo, nas palavras “Luís Amado”. Conhecendo-o de puta ginjeira …)
jpt

8 comments ↓
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olá zé zé,
Vida dura de picanha e ananas às 4 da tarde.. Fiquei um pouco perdida com o teu post… de cá.. desta terra estrangeira em que eu vivo e que é a tua de origem, apesar da minha sensibilidade e algum conhecimento geral do teu país africano de residência .. fiquei sem perceber ..afinal que tal hoje as eleições e o país real (embaixador de portugal incluido)? perdoa o pragmatismo, sim? um abração marzia
O pragmatismo? O serviço do Rodízio vai de mal a pior, uma coisa inacreditável para o preço que cobram. Os observadores, a queimarem o pocket-money, devem ter gostado. Os “meus” diplomatas same old scene (Roxy Music) desde que aqui acampou um grande Embaixador (António Valente) que não deixou escola é um campeonato de imbecilidade apolítica e adiplomática- tontos radicais desde então, sem qualquer preconceito. É inacreditável …. nem mesmo é inaceitável, é mesmo um campeonato de imbecilidade radical, aplaudida nas Necessidades socialista e social-democrata.
As eleições?, ou seja o importante? Parece que estão a andar bem. A Frelimo irá ganhar (precisa de um apertão, está gorda), a Renamo deve lever uma porrada grande (colapsou), o Deviz – de que muito gostam e de que eu não gosto nada pois está sempre com Deus na boca – é a incógnita.
Iche! Esta foi forte e bem dada! Muito bom!
Pois Ana, eu aqui tenho razão e tu sabes. O resto é poeira …
Parece uma obra de poesia queirosiana, esta de em pleno dia da eleição moçambicana os observadores “observarem” o processo a partir de uma farta mesa no Rodízio Real, embalados pelos doces vinhos e tentadoras sobremesas. Tivesse eu sabido disso, teria movido mundos e fundos para também observar. Há de facto uma justiça poética e embaladora de se ver Moçambique (e não só para eleições) a partir de uma mesa do Rodízio Real.
E às cinco da tarde, a partir do salão de chá do agora transvestido Polana.
Em ambos os casos, sempre sucedi em extrair bom serviço e até um sorriso. Se quiseres meto umas cunhas para ti. Sendo o Grupo VB uma mescla cultural luso-moçambicana, isso importa. No Polana conheço todo o pessoal de mesa e usa-se a estratégia da máfia moçambicana.
Quanto aos empregados diplomáticos, sugiro que te cinjas (cinjas?) à tal cônsul em que tantas esperanças deposito.
Sempre fui bem servido no Rodízio, e o bom do Cruz é gerente de mão-cheia. Confesso que nas últimas duas vezes, tamanha a concorrència clientelar, o serviço à mesa foi um bocado confuso. Mas sempre com sorrisos, justiça seja feita.
Eu conheci diplomatas muito bons. Irrita-me esta leveza, até “insustentável”.
[...] da rede social, aliás eles são tão fracos. A nossa junta de freguesia apoia declaradamente a ocupação do Tibete nosso vizinho? Não ligamos. Aliás, não [...]
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