Leio, ciclicamente, que as empresas de comunicação social estão a mudar, o meio profissional deles está a mudar, que o mundo está mudar (malandro!). Lembro-me sempre da rapaziada que vendia identidades juvenis através de vinil, k7s ou cds (já não sou do tempo dos cartuchos nem das bobines), a qual parece que ficou à rasca por causa do mesmo malandro mundo.
A rapaziada dos tais meios de comunicação social vai (e)migrando para este ipod e considera natural que o conceito que a enquadrava venha com ela [mesmo que isso implique o ridículo mais execrável]. Entenda-se, a “regulação” dos blogs é o entroncamento entre a vertigem higienista da burocracia europeia actual – resquícios do ecologismo em final de ideologias – e as aspirações corporativas do mundo do pós-jornalismo.
Entretanto há reflexões interessantes e, aleluia, até auto-críticas, sobre a blogosfera. Por mania conversacional gostaria de participar, nem que fosse para interrogar o estatuto ontológico de um “nós” que surge. Fá-lo-ia se soubesse a morada da referida esfera.
Quando comecei a blogar, há quase cinco anos, sobre isto do bloguismo deixei: “Isto é tipo rádio-amador, quando era miúdo conheci alguns, fechados no sotão cheios de maquinaria a tentar falar/escutar uns tipos que nunca conheceriam. Sempre os achei um bocado malucos.” Não mudo nem uma palavra.

7 comments ↓
Caro José:
grato pelo apontamento!
O “Nós” refere-se, sem espaço para dúvidas, aos tais que vêm a reivindicar um papel social para a blogosfera.
Claro que não falo por todos.
Adorei a analogia ao radio-amador, penso exactamente a mesma coisa. Apenas pergunto: porque acabaram eles?
É que me dá a impressão de que nos blogues está a passar-se a mesma coisa.
A discussão em torno do meu post está mais acesa lá para os lados do Alexandre Gamela, em http://olago.wordpress.com/2008/09/30/a-regulacao-dos-blogs/, onde justifico algumas coisas, dizendo:
«Realmente, a principal salvaguarda a fazer é a da liberdade de expressão. Seja qual for a forma utilizada, se utilizada algum dia for, esta não poderá nunca colidir com a liberdade a que estamos habituados e que consideramos já um direito adquirido – e que eu, de resto, considero natural.
A grande questão do debate não é tanto o mecanismo de auto-regulação – que mal ou bem já existe, pelo menos numa fase embrionária – mas a forma como este poderá ser posto em prática.
Como perguntas, e bem, será que vai haver um “Blogue na hora”?
Naturalmente, a adopção de seja que tipo for de estatuto, código deontológico, enfim, o que lhe queiras chamar, deve ser feita de livre e espontânea vontade.
Também sei que a blogosfera em geral não é lá muito adepta de “controlos”, sejam eles de que tipo forem. Eu também não sou, antes pelo contrário!
A aferição de determinados parâmetros nos blogues que se candidatassem a tal “estatuto” seria publicada por forma a que os leitores soubessem com o que poderiam contar.
Coisas simples, como declarar sob compromisso de honra, que as reproduções totais ou parciais de artigos de outrém serão sempre hiperligadas ou anotadas em rodapé, que cumpre os preceitos da reserva de direitos sobre qualquer tipo de texto (escrito, imagem, som, etc.), e por aí fora, indo até aos direitos relacionados com divulgação ou identificação das fontes, começam a tornar-se necessárias na blogosfera, sob pena de, não sendo cumpridas, continuarmos a ter produtores e vampiros, agentes fiáveis e tipos que inventam, gente com humor e caluniadores, todos com o memso grau de credibilidade na percepção do público.
Agora, por favor, “mark my words”, SÓ VOLUNTARIAMENTE.
Mas, de resto, a questão continua por aí: Quem elabora o “código”? Quem o aprova? Quem afere o seu cumprimento? E como?
Cá para mim, embora não tenha as respostas a tudo isso, creio que a coisa deveria ficar entre nós, bloggers.», acabando por terminar com o fabulástico “Nós” que espero estar, desta feita, mais bem identificado com a realidade.
Abraço!
CJT
Não sei como é aí por Moçambique, mas aqui em Portugal as regras são para furar. Coisas de homem médio, claro, como diria o PGR português.
Sabe o que chama a isso meu caro, CENSURA, há muito, mesmo muito tempo que alertei para o que se estava a passar, hoje os factos estão aí, o autonomeado Provedor da Blogoesfera portuguesa levou a sua à melhor, a censura voltou 34 anos após o 25 de Abril de 1974.O resto é conversa…
Re21 não percebo bem a que se refere. Não conheço casos de censura no bloguismo português. Pode-me informar?
CJT – o que acho sobre isto está, em má forma, nos comentários do Certamente (em particular no # 23): http://pauloquerido.net/blogosfera/teaser-estatuto-dos-bloggers-e-inevitavel-como-demonstrou-a-erc/#comments
Não sou jornalista mas acho particularmente gravoso o silêncio blogo-jornalístico face ao inenarrável (fascio-comunista) comportamento do Conselho Deontológico dos Jornalistas. E isso (a gravidade do silÊncio) ultrapassa qualquer outra preocupação “estatutária” do bloguismo
[...] certamente Que Sim!, Noticiare, O Lago, Ma-Schamba, Jonasnuts, PTBlogs, :fractura.net!, e noutros tantos locais que queiram anotar na caixa de [...]
@PEOPLE: respostas, dúvidas, conjecturas e muita, mesmo muita parra e pouca uva numa tentativa de resposta a todas as vossas ansiedades ou, se tudo correr bem, aumentá-las ainda mais, colocando mais perguntas em cima de perguntas.
digna de nota é a estrutura do texto, completamente atabalhoada e disconexa, por vezes, a reflectir o estado de alma em que me encontro neste momento, euforia própria de quem conseguiu escrever mais de uma página A4 em menos de 6 horas e só com dois dedos.
o link está nos tréquebéques deste e dos blogues que têm participado na discussão.
grato pela atenção, podem enviar os donativos para a conta habitual.
hasta!
[olhó cepam...]
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