Em Portugal há alguns anos os jornais ignoravam/plagiavam os blogs. O tempo, que tudo pode, alterou procedimentos. Foi ele que trouxe o blogo-digest, a criação de elos nos sítios dos jornais, o (hum …) pré-aviso das matérias publicadas e, por fim mas não o menos importante, os recrutamentos de bloguistas.
Na vaga bloguística inicial (2003) muitos jornalistas se incluíram, outros vieram a mudar, muito legitimamente, de opinião. Mas o mal-estar de alguns abencerragens mantém-se, quebrado que foi o seu oligopólio da palavra pública – quantas vezes suportado num muito mediano capital cultural. É uma coisa corporativa, nada mais. Que insiste, cônscia ou inconscientemente, em confundir nuvens e velhos deuses.
Há pouco li no Sound+Vision (blog que julgo ser de jornalistas) a denúncia do impensamento reinante (claro) no mundo hobbesiano do bloguismo, esse que “repele qualquer possível réstea de solidariedade humana“ – via Certamente!, o qual recentemente já ecoara a denúncia deste mundo de pulhas, corajosamente afrontado por Ferreira Fernandes.
Hoje [via A Natureza do Mal] ascendo a mais uma denúncia deste sub-mundo, “territórios onde vivem o anonimato, a calúnia, a usurpação de autorias e a impunidade”, agora por Miguel Sousa Tavares.
Tenho por aí dezenas de entradas refilando com o anonimato opinativo, mas nem é essa a principal questão. Gosto e acarinho a minha coluna de elos. Recíproca (e não só) e percorrida, para fugir à monotonia dos blogs preferidos (os quais também vão mudando). Mas não está ela tão bem cuidada como a coluna do LNT. Repare-se nela, enorme e atenta, em cada blog o nome do seu autor(es).
Onde está o anonimato generalizado? A calúnia omnipresente? “O teclista lobo do teclista”?
É dizer-lhes, aos ilustres jornalistas, “a teclas loucas …”.

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Dizia há tempos o Dragão, numa entrada que adorei, que no dia em que acabasse o anonimato na blogosfera passavam uns quantos a ladrar aos desconhecidos em vez de rosnarem aos anónimos. (Ou algo parecido, que cito de cor). E tem razão: há por aqui muito boa gente que prefere manter-se confortável atrás de um nick e nem por isso desata a fazer terrorismo das teclas. Aliás, cada vez que olho e vejo qualquer arremedo dessa espécie de terrorismo, nunca me parece que seja por pura “trollagem”. Há interesses bem claros e, quase todos, profundamente corporativos. Com ou sem três nomes (como de costume) a enfeitar o cabeçalho. Tudo o resto é mais do mesmo.
Eu sempre disse que se assinasse João Sebastião Tomaz Maria Avillez de Mello e Souzza Vrazein Holmmeck de Tollen-Borglen, seria um anónimo muito mais considerado. E se metesse (PHd/Mfhi/Famel2/Ghtu) a seguir, então era a cereja do bolo dos palermas que, lá no fundo, no fundo, sofrem do sindroma do shoutor. Principalmente quando começam a deixar de dar as cartas…
Não vou ao bau do blog buscar auto-referências mas lembro que está cheio de desacordo com o anonimato opinativo – é muito bonito por o nome debaixo quando se diz mal (ou bem) de algo e, ainda mais, de alguém. Mas não deixam ambas de ter razão, o paleio altaneiro se não fosse contra os anónimos era contra os desconhecidos: o complexo do shoutor, como diz a Catarina. Ainda que os “dêerres” sejam pequeninos, permito-me juntar
Quem junta não passa fome.
MST?! Han han… — abre-se o sorrisinho indulgente…
Não pensemos no autor: presuma-se apenas que é um humano capaz de escrever e analise-se assim o que ele escreveu:
«A quem possa interessar: há para aí um blogue cujo autor garante ser eu próprio. Não é:»
Esta, a parte interessante. O pedaço de informação dotado de eventual utilidade.
Mas depois…
«como já aqui expliquei, não faço, não alimento e não leio blogues. Terão, certamente, muitas vantagens e utilidades, mas eu não me habituo a viver em territórios onde vivem o anonimato, a calúnia, a usurpação de autorias e a impunidade.»
Ora, isto é «palha», mas deve ter-lhe sabido bem escrevê-la! Assim que li isto, fez-se-me um click cá dentro, lembrei-me de um aforismo giraço do Nietzsche:
«O verme pisado contorce-se. É assim que é sábio. Diminui deste modo a probabilidade de novamente ser pisado. Na linguagem da moral: humildade.»
Claro que esta humildade não parece lá muito humilde à primeira vista. Mas isso são coisas da natureza. Humana, no que toca ao sentido de posse. Social, pela consciência que nos «vai ajudando» a tomar, quase desde que nascemos, do nosso lugar entre os demais.
Take it easy…
Mas alguém é obrigado a alguma coisa aqui (Blogosfera)?
Só lê quem quer, só escreve quem quer!
Os que dizem ‘jamais’ são os primeiros a ‘provar’ e o pior é que não assumem!
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