Clareza de raciocínio?. Só assim.
Em muitos locais se lê e ouve argumentar contra o relativismo cultural. Mero dogma, por vezes, crença no(s) absoluto(s). Mera estratégia política, noutros casos, de afirmação de relativos próprios como se absolutos, “o relativismo é falso porque o meu relativo tem validade absoluta”. Pois …
torna-se óbvio que a adesão (agora também se diz “aderência”) a determinadas crenças, símbolos, valores influenciam, estruturam o mundo que vemos, ouvimos, sentimos. Como o vemos seja como o interpretamos. Como lhe traçamos causas e efeitos. Aos indivíduos essa adesão (a tal neo-”aderência”) molda o entendimento topológico. As percepções físicas. As concepções de estático e dinâmico. Estipula o tempo. Delimita a âmbito do normativo. A corporização do legal. Enfim, a adesão (agora também se diz “aderência”) a uma crença, a um grupo, estrutura-nos o espaço e o tempo, causas e efeitos. Corporiza a verdade. A cada grupo a sua verdade. Absoluta.

3 comments ↓
Nada a dizer, quando se sabe por onde se quer ir.
Publicado por: JAzevedo às março 24, 2006 04:12 PM
pois … eu não integro nenhum grupo (no sentido em que usa a expressão). não ‘aderi’, portanto. não trago a verdade no ‘bolso’ nem acredito que ela, a existir, seja absoluta; nem julgo que tivesse que a trazer (a ela, verdade), ou sequer que as decorrências que descreve aí conduzam necessariamente.
daí, a questão que lhe coloquei e, a questão meu caro, é que tenho dúvidas que você a tenha (a ela, verdade), como me pareceu pretender no seu post original. questão essa que, de resto, entendo não ter sido minimamente respondida, como já esperava. nem a sua visão dos factos é a única, nem as conclusões que retira são universais, nem a ‘exclusão’ dos que não as partilham (sobretudo nos termos em que o fez), é aceitável (pelo moralismo simplista implícito) e, meu caro, pelo que de si já por aqui li, você está cansado de o saber … nem nada tem que ter a sua medida nem você é a medida de nada (a não ser de si próprio) … vou longo, por aqui me fico … abraços
Publicado por: zero às março 27, 2006 06:54 PM
http://25centimetrosdeneve.blogspot.com/
meu caro, eu não terei aqui (ma-schamba) desenvolvido nada de especial sobre o relativismo cultural. mas creia que não concordo nada com o que ele significa se no sentido deste post …
mas, honestamente, quando vejo que se uma área delimitada (e pintada de branco num chão verde) é maior ou menor consoante a cor da camisola de quem lá cai, então há relativismo topológico. quando vejo que a queda de um grave (se jogador) tem causa de atrito (humano) ou não consoante a cor da camisola do referido grave então há relativismo físico. se os minutos já passaram ou não consoante a cor da camisola de quem quer que já tenham passado então temos relativismo cronométrico. se um corpo (humano) já estava para lá de outro corpo (humano) ou não consoante a cor das respectivas camisolas então temos relativismo físico de novo (o dinâmico e o estático, e com isto estou a esquecer o tempo como físico também).
ou seja, tanta conversa contra o relativismo (na maioria sem sequer perceberem o que tal significa diga-se, julgando apenas que é gostar de excisão de clítoris e bombas humanas) mas de súbito o orangotango relativista assume-se na futebolada, dono de uma verdade consoante o grupo a que aderiu (até inconscientemente, na maioria dos casos)
Publicado por: jpt às março 27, 2006 10:36 PM
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