Um livro novo, fruto de uma tese de doutoramento em antropologia, sobre Moçambique. Logo que o vejo, tendo ouvido falar da pesquisa, compro-o – minha cara auto-prenda de Natal, aquisição do 24.12. Promete, o tema, a vastidão da pesquisa. E coisa grande – quase 450 paginas de texto, quase 200 notas de rodapé. Logo nesse dia começo a leitura, o livro inicia-se, e muito bem, pela transcrição de uma entrevista. E logo, logo o meu “ai, meu deus, onde é que isto vai parar” – a nota 4 reza assim: “como se pode depreender pela leitura da entrevista … fala um português quase perfeito, embora com um forte sotaque moçambicano”.Como? Ok, é relevante ter a entrevistada um sotaque moçambicano? Aceito, mas expliquem-me qual a relevância (background escolar presumido, origem social. Ou noutros registos de pesquisa, formas de apropriação da língua. Mas se é doutoramento então que se expliquem estas coisas, só aparentemente neutrais). Mas também posso perguntar, o que é um “português quase perfeito”? para mais em registo oral, de entrevista transcrita.

Mas muito mais do que tudo, o que é um sotaque moçambicano? “Forte” ainda por cima?

Tudo isto abrindo uma tese de doutoramento? Mês e meio depois ainda não avancei. Não porque duvide da excelência do que se seguirá. Mas porque esmoreci, coisas do meu sotaque. E por falar em sotaques, lá vai

(Ilha de Moçambique, Janeiro 2007, inscrição mural em “português quase perfeito, embora com forte sotaque macua, variante naharra”)

a ver se se marca golo contra estes estereótipos (em português da Madeira?, ainda que quase perfeito?).

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