Recados do futuro

 

Vejo-as no meu bairro um pouco por todo o lado. Contam trocos na bicha do supermercado atrasando a freguesia. Encontro-me com elas na farmácia onde aviam receitas pela metade. Deixam-me doída e condoída, com um nó na garganta que perdura todo o dia. Há muito que penso fazer um post sobre elas aqui na ma-schamba. Nunca o fiz. Talvez porque nelas me reveja, quem sabe? Hoje leio-as neste texto (muito) comovente de bloguista amiga. Imagens inquietas que me chegam de um futuro que pode ser o meu.

AL


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3 Comments

  1. antonina diz:

    A foto é lindíssima, Ana. O texto a que fazes referência também o é. É verdade que com o tempo não gostamos do que vemos reflectido no espelho (homens e mulheres), talvez porque à velhice atribuímos significados de incapacidade, dependência, solidão. E depois também porque a solidão aumenta no feminino, fazendo das mulheres as vítimas perfeitas. é uma problemática que merece mesmo ser aqui debatida – a da velhice no feminino!

  2. AL diz:

    Obrigada Antonina. A foto tirei-a da internet e nao vinha assinada, dai nao ter credito atribuido. O texto da miss pearls e’ belissimo. Quanto a mim, mais que a velhice aflige-me a incerteza da meia idade, a incerteza de uma velhice confortavel. Nao so’ a velhice no feminino, mas tambem (sobretudo?) a crescente pobreza da velhice, esta pobreza envergonhada somente denunciada nestes pequenos gestos do quotidiano…

  3. antonina diz:

    Sim. Percebo perfeitamente. Mas infelizmente está tudo interligado. E o pior é que não há dinheiro (mesmo quando o há)que pague determinados serviços, (recursos) porque simplesmente não existem ou são em número muito reduzido e, mais que a incerteza de uma velhice confortável, a dependência (física, cognitiva, financeira) e deixarmos de ser senhores(as) do nosso destino. Apenas porque alguém (filhos, sobrinhos, and so) se roga no direito de gerir os nossos recursos. Enfim, sermos completamente lesados dos nossos direitos enquanto cidadãos.

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